A emoção estava a flor da pele e sai de casa com o coração apertado.
Beijei a minha mulher e o meu filho, olhei para a minha casa pela última vez e o meu coração estava tremendamente apertado e tinha uma sensação desagradável que nunca mais voltaria para casa.
Estava deixando as coisas mais importantes, os meus maiores tesouros, mas a estrada como que magicamente me chamava e sabia que tinha que atender a este apelo e isso porque a poucos homens é dado viver uma aventura tão intensamente como a que eu estava naquele momento iniciando.
Comecei a pedalar e quando cheguei na Almirante Barroso (saída de Belém) o meu telefone celular tocou; era a minha mulher dizendo que eu havia esquecido de levar comigo o cartão do plano de saúde. Pedi para que ela levasse para mim, uma vez que não passava pela minha cabeça voltar, a ordem que eu tinha me dado era a de sempre seguir em frente. Ela trouxe o cartão e me deu um beijo, estava me sentindo como um condenado que estava preste a entrar no corredor da morte.
Ganhei um último beijo e muitos quilômetros ainda me separavam da minha meta final.
Quanta dor, quanto sofrimento, quantos momentos de superação eu ainda teria que passar, mas isso eu deixei para que cada dia me revelasse.
Cheguei no Posto Pombal II às 13 h, tomei um banho e em seguida comi uma das pizzas que a Zélia havia preparado, tomei vários cocos e um refrigerante, enchi as minhas garrafas de água e sai.
Em Castanhal eu resolvi trocar uma peça de sustentação do guidon pois a que estava nele tinha um padrão para o qual eu não tinha chave.
Cheguei no Celeiro ás 17:55 h e como sempre fui muito bem recebido.
Tinha concluído com êxito o primeiro dia de viagem e estava muito emocionado por tudo o que havia passado neste dia.